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Poema "Outro Nascimento" de Forugh Farrokhzad

 Ontem, para a tag poesias dos blogs do Sapo, decidi fazer uma tradução do poema "Another Birth" de Forugh Farrokhzad. Transcrevo aqui a mesma tradução, visto ser dos meus poemas favoritos! Todo o meu ser é um canto negro que te carregará perpetuando-te ao alvorecer de crescimentos e florescimentos eternos neste canto eu suspirei tu suspiraste eu enxertei-te à árvore à água ao fogo. A vida é talvez uma longa rua através da qual uma mulher a segurar um cesto passa todos os dias A vida é talvez uma corda com a qual um homem se enforca num ramo a vida é talvez uma criança a regressar a casa da escola. A vida é talvez acender um cigarro no repouso narcótico entre duas rondas de amor ou o olhar ausente de um passageiro que tira o seu chapéu a outro passageiro com um sorriso insignificante e um "bom dia!. A vida é talvez aquele momento íntimo em que o meu olhar se destrói na pupila dos teus olhos e é o sentimento que porei na impressão da Lua e na percepção da Noite. Num quart...

Fado bloqueado em Portugal

Aos senhores do YouTube, que criam os Tópicos de certos artistas, como é o caso de Fadistas, neste caso específico, de Lucília do Carmo, acho que só as pessoas intelectualmente capazes deveriam tratar desse assunto. Porquê? Porque há Fados bloqueados ao País (?), o que me impede de ouvir os Fados que quero. No lançamento do CD "Amália: As Vozes Do Fado", não sei se se passou o mesmo caso, do bloqueio das músicas ao país ou se simplesmente retiraram as músicas, mas caso as músicas tenham sido bloqueadas ao país, acho uma estupidez sem qualquer nível de desculpa, visto que o Fado é música de Lisboa, conhecido por ser de Portugal, actualmente Património Imaterial da Humanidade e, justamente no seu País, na sua Pátria, é que os Fados estão bloqueados. Escrevo este texto em forma de protesto, no Blogger (que pertence à Google, tal como o YouTube), para demonstrar o me...

Mortos

Há coisas que, uma vez mortas, devem enterrar-se e largar. De nada vale manter um cadáver em casa: ao fim de uns dias, começa a cheirar mal e torna-se incómodo. O mesmo se passa com as palavras e com alguma ideia que se tenha tido, mas que não resultou: enterra e passa à frente.

Boa noite, melancolia

Há palavras condenadas a serem apenas pensadas. Há sentimentos condenados a serem guardados dentro do peito. E depois, há aquelas coisas que saem, como lágrimas que escorrem pelo rosto dos sôfregos, como a melancolia que escorre pela minha caneta ou pelo meu teclado. Boa noite, melancolia!

Alívio do Coração

Deixei de acreditar Na absolvição, Na salvação, Na elevação. Deixei de desejar O sonho maior, O amor, O fervor. Parei... O mundo que piso não é o meu, Este corpo não sou eu, Nada há p'ra lá do céu. Chorei Sem mentira ou ilusão, Sem sentimento ou sensação, Chorei, em versos, para aliviar o coração!

É Apenas Outra Noite

É apenas outra noite, outra rua, Mais uma mentira pelo ar, Talvez a mágoa seja tua, Talvez seja meu, o sonhar. É apenas outra noite, outra lua, Que, esta noite, se esqueceu de iluminar, É apenas a minh'alma nua Quese ajoelha para rezar. É apenas poesia a fluir, Saindo da noite calma, Que faz a minha alma chorar. É apenas vontade de fugir, Esquecer coração e alma, Esquecer o meu âmago a sangrar.

Sou Tudo Sem Ser Nada

Agora compreendo Que nada entendo, Que o erro ficou lá fora E que depreendo Que, em breve, irei embora. Talvez do mundo... da vida... Que deixarei quem dança, Quem se ilude - tanta ferida Que me ficou, na alma, da esperança... A morte será a minha vingança. Vejo que todos procuram alguém: Procuram... e sempre vem Quem lhes dê alento... e calor... Uma outra mentira - amor? Eu quero-me sem ninguém. O mar... a cinza do meu sonho... Serei uma lembrança naufragada, Por tanto mundo que transponho, Serei tudo, não sendo nada. E se hoje é triste o meu olhar Fixo no horizonte, É de tanto andar a sonhar Ser uma pedra mais naquele monte!

Eu Não Danço

Eu não danço: encolho-me No meu canto idealizado E nem um olhar interceptado Faz com que me liberte. Bem dentro de mim, recolho-me Do mundo deles e quero chorar Tudo aquilo que insisto em guardar, Nada há que desaperte O nó da mágoa de ser diferente, A dor de não me sentir Parte deles, de sorrir De outro jeito - fugazmente. O meu olharque os mata, destrói, Que procura o fim dessa dança, O meu desprezo que corrói Qualquer traço de esperança.

Poesia... sentimentos de escrita...

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Tenho tido algumas dificuldades em escrever. Tenho tido algumas dificuldades em sentir . E isto que se tornou no expoente máximo da minha vida, quando me falha, é como se me falhasse o chão. Porque é que isto acontece? Porque é que acontece sentir e ser incapaz de escrevê-lo? Porque é que me acontece viver e sentir apenas uma grande desilusão? Porque é que são, as pessoas, uma grande desilusão? Em tudo? E, no fim de contas, todos? Até mesmo eu! Quem me vê a sorrir, a rir, a correr em brincadeiras quase infantis... será que adivinham esta minha tormenta? Espero que não. Porque o que sinto, que fique apenas pelos meus versos ou por estes espaços onde deixo pedaços de mim. E que filho da puta algum me não impeça de fazê-lo. Andam para cá e para lá. Bamboleiam-se, pavoneiam-se com alguém debaixo dos braço ou debaixo do braço de alguém. O amor, como a saudade, são bonitos apenas na poesia e para a poesia. Mas talvez eu estrja errado em assumir que o sexo seja mais real que o amor. Não amei ...

Devaneios - Loucuras!

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Acabo de escrever no blog que partilho com a minha boa amiga, Erin Leigh. Nem sei se me expressei bem nas palavras, mas acho que apenas quem lê o que escrevo saberá dizer se aquilo que lê provoca qualquer tipo de emoção ou sensação. Esta tarde serviu para várias coisas. Realizar coisas planeadas. Eliminar coisas desnecessárias. Chatear-me de cada vez que este tablet maluco reinicia e perde texto. Serviu para ouvir música. Escrevo aqui, sem bem ter qualquer certeza do que queira escrever. Sei o que fiz. Sei o que faço. Sei quem sou, sei o que sou. Sei que não sou o maior exemplo, nem de beleza, nem de sanidade mental. No entanto, sei também as coisas de que não gosto, as coisas que não quero na minha vida. E se as pessoas insistem com aquilo de que não gosto, especialmente quando mal me conhecem, esse é um motivo para que tenham de mim o maior desprezo. De que vale a pena sonhar ou fantasiar? Nascemos. E morremos. Ponto final. O que existiu pelo meio, não mais importará. Eu não vejo a v...

Tenho saudades - devaneios!

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Tenho saudades do mar. Saudades do mar que canta, que bate na areia, como se me perseguisse. Teho saudades de rir, ao fugir sozinho das ondas, aceitando a brincadeira do mar e brincando com ele. Tenho saudades do mar que ouve os meus desabafos e chora comigo e do mar que bebe das minhas lágrimas, com as quais banha todo o mundo. Tenho saudades de sentir receio das ruas escuras, ao invés de encará-las com tanta naturalidade, como se fosse filhos delas. E aqueles que passam de carro, que páram, pedindo uma mortalha ou qualquer coisa mais... tenho saudades de receá-los. Tenho saudades de algo de que nem me lembro: de ser feliz e rir naturalmente. Tenho saudades de um momento de paz. Tenho saudades... Tenho saudades da minha terra e da minha gente. Quando morrer, o que restará de mim? Quando morrer, o que é que ficará de mim neste mundo? O que restará de velhas conversas, de momentos parvos de brincadeiras ou de horas de sexo? Do arafat que enrolo à volta do pescoço, cujas franjas balançan...

A sós, na penumbra do quarto

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À noite, quando estou a sós na minha cama, nem sempre consigo adormecer. Custa-me a dormir. Custa-me a adormecer. E enquanto não adormeço, penso, sonho acordado, fantasio. Enquanto sonho acordado e enquanto fantasio na penumbra do meu quarto, toco no meu corpo. Toco no meu corpo e imagino outras pessoas. Fantasio momentos e palavras. Estou a sós. Mea culpa! Custa-me adormecer e muitas vezes os meus pensamentos vêm morder. Mordem de noite, na penumbra do meu quarto ou numa solitária caminhada pelas ruas da cidade. Lá fora chove e está frio, mas o frio lá fora não se compara ao frio de casa, ao frio da cama vazia. Mea culpa! Ainda assim, mantenho o meu pensamento. Dói, mas não dói tanto como iludir-me e descobrir que nada passa de mentiras. Dói, mas dói menos, ainda assim, que a ilusão. Amor... amor é para a poesia. Para a vida, é uma mentira luxuosa! A sós, na penumbra do quarto, toco no meu corpo e fantasio uma ou outra pessoa a tocarem-me. E pelo mundo, alguém fará o mesmo, com o mesm...

"rasga esses versos que eu te fiz, amor..."

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Os Meus Versos Rasga esses versos que eu te fiz, amor!  Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,  Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,  Que a tempestade os leve aonde for!  Rasga-os na mente, se os souberes de cor,  Que volte ao nada o nada de um momento!  Julguei-me grande pelo sentimento,  E pelo orgulho ainda sou maior!...  Tanto verso já disse o que eu sonhei!  Tantos penaram já o que eu penei!  Asas que passam, todo o mundo as sente...  Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!  Como se um grande amor cá nesta vida  Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...   Acordei hoje com estas palavras na mente. Acordei com esta interpretação deste poema a tocar dentro da minha alma. E porque será? Talvez seja da tua passagem por mim numa destas noites (e um novo carro e uma nova matrícula para decorar. Talvez seja paranóia. Eu prefiro pensar nisso como auto-preservação). Talvez seja de ter pensado em ti, c...

algumas ideias e alguns pensamentos!

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Tive que me levantar cedo para ir ao hospital marcar uma consulta de oftalmologia. A noite não foi bem dormida: passada no café com boa gente, boa conversa e descontracção, depois um tempo nas bombas com alguma palhaçada habitual. Ao chegar a casa tardiamente, ainda fiquei a ver um filme, que deixei a meio. Passei praticamente uma manhã inteira no hospital, tudo para marcar uma consulta. Incrível como, em alguns aspectos, uma noite mal dormida nos deixa tão lúcidos, apesar de pesarem os olhos e de abrir-se a boca. Naquela imensa sala de espera, os imensos "carneiros" (pegano nas palavras de Howard Phillip Lovecraft) e "ovelhas". As massas. A gente crua e rude, dentre a qual encontrei alguns conhecidos. E esses mesmos "carneiros" deram-me algumas ideias; alguns lugares por onde passa o autocarro deram-me algumas ideias; e as várias versões de uma mesma música deram-me algumas ideias. Espero em breve ganhar a coragem necessária para sentar-me em frente do co...

Camões escreveu, Amália cantou: o meu retrato!

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Há coisas às quais eu acho desnecessário adicionar texto ou comentários. Esta é uma delas!

pensamentos íntimos

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Não existe amor que valha a pena! Hoje o amor é tudo e amanhã nada é! Eu queria ser o mar, a areia, o mundo inteiro! Eu queria as horas doridas e os espasmos de criar. Eu queria aquele orgasmo... aquela sensação de orgasmo após expulsar, de dentro da alma, a escuridão! Pelo amor percorri os mais sujos e abandonados lugares. E hoje, esses mesmos lugares são parte de mim. O amor? Tanto o desejei... de igual modo o detesto (quem me dera desprezá-lo, ser-lhe indiferente, sem qualquer mácula na minha, já muito maculada, alma!). O amor que tudo era, sobre ele abate-se toda a minha raiva. E nem mesmo um toque ou um carinho eu aceito (e quem me toca por graça, pelo prazer de me enfurecer, tem de mim todo o ódio que é possível destilar-se num coração!)!

Vou continuar à procura!

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Vou continuar à procura de mim mesmo! Vou continuar à procura de uma boca que se morda, de um corpo de um amante que se devore! Por entre as ruas escuras. Por entre os parques sombrios. Por entre os bosques esquecidos e que ainda não me atrevi a percorrer pelas noites de luar, vou continuar à procura. Vou continuar à procura de um momento de calma e de paz. Vou continuar à procura do tiro que ecoará nas noites mais silenciosas, penetrando o meu ser. Vou continuar à procura da mais gélida das lâminas do meu assassino! Não haverá luz e eu, ceguinho de tanta de luz, verei por entre as brumas e continuarei à procura. Por entre sepulturas esquecidas no tempo, vou continuar à procura de um Deus maior! E vou continuar à procura de uma fé sem mentiras! E vou continuar à procura do meu confessor! Vou continuar à procuro dos bens de que fui despojado! Vou continuar à procura daquele momento quente! Continuarei a minha incessante busca pela Morte, enquanto me restarem pedaços de vida! Vou continu...

Madrugada

Tlvez seja da vida que vai passando loucamente! Talvez seja de noites que se sucedem iguais! Por muito que as coisas mudem acabam tornando-se banais! Não sei se é da vida ou da noite; Talvez seja da mesma cidade, anos e anos a fio, Tenho saudades não sei de quê, frio desengano... Onde moram agora quaisquer sonhos? O Verão já morreu, enquanto morreu um cigarro. Sonho o mar que vi na minha infância, quanta esperança nele depositei... E os sonhos voaram - pássaros alados rompendo a madrugada dos meus sentidos!

O Meu Poema

Apesar de fazer isto por mim e para mim, tenho o cuidado de verificar os números. Visualizações de página e de cada "post" individualmente. Vejo que o meu poema, "As Horas Iguais", teve um elevado número de visualizações. É engraçado, o bem que isto sabe. Mas não posso dar-me a este luxo. Eu quero o real livro publicado e tenho poemas, em quantidade, mais do que suficientes para, pelo menos, três livros de versos. Os números de visualizações. Engraçado pensamento. Penso quem serão os meis leitores. Como serão. Como será a sua vida. O que sonharão. Tento imaginar. Imagino uma rapariga, à primeira vista, via e alegre, mas que por dentro morre um pouco mais a cada dia. Todos a conhecem alegre e equilibrada, boa aluna, mas à noite no seu quarto, fará um ou outro golpe. No braço. Na coxa, talvez. Um belo rapaz. Em dias nebulosos, vai passear o seu cão à praia. Por vezes, vai lá de noite. Sozinho. Acompanhado, na esperança de encontrar aquele alguém. Uma mulher. Outro hom...

As Horas Iguais

As horas passam-se. São iguais. Iguais a tantas outras horas que se passaram. Iguais a tantas outras horas que o tempo pareceu apressar. Os campos... os campos, outrora de batalhas, Os campos, depois de cultivo estão ao abandono. Outros campos iguais, São prédios, Jardins, Esquinas de vida e de morte. Os campos são o que deles fizeram. Mas as horas são constantes e batem compassadamente. Tic-tac, tic-tac, menos um segundo, Menos um minuto Para tudo deixar de ser como era, Menos uma hora para morreres e para deixares para trás tudo o que fizeste, tudo o que viveste, tudo o que coleccionaste. As horas passam. São iguais. São iguais as horas, Assim como são iguais, milhares de milhões de destinos!